Debate Franco
Debate Franco – Guilherme Sampaio 07/12/2018

Debate Franco – Guilherme Sampaio

Vereador e integrante do Diretório do PT Fortaleza

1. Qual sua avaliação objetiva do novo período nacional com a eleição de Bolsonaro à presidente do Brasil?

 Enfrentaremos um período de graves ameaças de retrocessos, relacionados aos direitos civis e sociais, duramente conquistados durante décadas de luta, especialmente com a redemocratização do País após a ditadura militar. O que se anuncia é um governo ultraliberal, que tem por objetivo privatizar empresas públicas, bancos públicos e conceder a exploração de petróleo em condições desvantajosas para o País, além  de reduzir as políticas sociais, diminuir o tamanho do Estado, prejudicar o direito a uma aposentadoria digna, tudo em benefício dos que lucram com a especulação sobre juros da nossa dívida pública. Isso tudo afetará sobremaneira os mais pobres, como já aconteceu no governo Temer. Associado a isso é preocupante a ameaça de criminalização de movimentos sociais, de perseguição e censura aos professores e de opressão de minorias, que sempre caracterizaram o pensamento do presidente eleito. Será um período de luta e resistência dos movimentos populares.

2. O ex-governador Ciro Gomes afirma que estamos na democracia com Bolsonaro presidente e faz ataques constantes ao PT, além de buscar aliança com Tasso Jereissati. Como o senhor interpreta esta postura política de Ciro Gomes, principal líder do PDT?

 É lamentável que Ciro tenha se omitido não só no segundo turno, mas na denúncia do período de exceção que continuamos vivendo após o golpe. Ele se diminui, da mesma forma como ocorre com sua patética escolha do PT como alvo, quando as urnas deram ao partido um papel protagonista na oposição a Bolsonaro. No que depender de mim, o PT não perderá um minuto com isso, que soa mais como dor de cotovelo por ter sido superado por Haddad do que qualquer outra coisa. Temos algo mais sério com o que nos preocupar: a construção de uma ampla frente de resistência democrática com partidos, movimentos e cidadãos, como se formou em torno de Haddad no segundo turno. O bom senso recomendaria que Ciro estivesse nessa, mas não sei se a arrogância e o personalismo que caracterizam sua atuação política permitirão essa compreensão. De minha parte, ele não será nosso alvo, porque isso seria cometer o mesmo erro estratégico que ele comete. Mas também não aceitaremos de sua parte nem mentiras, nem desrespeito a Lula e ao PT. Ciro não tem história partidária nem moral para as críticas que faz.

3. O projeto Escola sem Partido ameaça a livre educação em nosso país. Seu mandato de vereador acompanha as lutas educacionais e da cultura em nossa cidade e Estado. Como enfrentar esta ameaça à democracia e liberdade de educação que quer escolas com censura aos professores e estudantes?

 Eu diria que essa é a mais grave ameaça a um projeto nacional de qualidade na educação que o País vai enfrentar. Colocar os principais responsáveis por isso, os professores, como vilões da educação é não só uma burrice, mas também é desonesto e obscurantista. A liberdade de ensino e cátedra é um princípio constitucional. Essa proposta, na realidade, é uma tentativa de censurar professores. Isso impossibilita avançarmos na qualidade do ensino porque, antes de mais nada, educar ensinar a pensar. E não será limitando a expressão de pensamento do professor que teremos êxito nessa tarefa nacional. Todo professor, assim como todo ser humano, é portador de uma história, de uma cultura, de valores e de ideias que compuseram sua formação. É impossível e absolutamente não recomendável propor que sua atuação esteja afastada desse caminho formativo. Na realidade, isso é uma tentativa disfarçada de implantar uma escola com partido. O partido daqueles que são intolerantes com as diferenças e que são autoritários, por isso, não admitem qualquer ideia que suscite reflexão e o contraditório. Um povo educado, crítico, os ameaça. Penso que essa será uma causa que poder unir amplos setores da sociedade contra a censura aos professores, inclusive alguns que militam em campos ideológicos opostos a nós, mas que são esclarecidos o suficiente para resistir a esse obscurantismo.

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