Debate Franco
Debate Franco – Graça Costa 07/02/2019

Debate Franco – Graça Costa

Secretária de Relações de Trabalho CUT

1. Neste grave momento nacional, quais as principais ameaças aos trabalhadores e à nação brasileira?

Depois de 30 anos de redemocratização do país, sofremos um golpe em 2016 que eliminou várias conquistas e ampliou a desigualdade social. Foi nesse quadro de retrocessos que se deu a eleição do candidato identificado com a ultra direita e, como se vê agora, vinculados inclusive com a corrupção e as milícias armadas que atuam no Rio de Janeiro.

Nossa maior ameaça é esse governo que defende uma política ultraliberal que pretende privatizar a economia e eliminar a legislação de proteção dos direitos trabalhistas básicos, para permitir maior flexibilidade nas relações contratuais de trabalho e redução dos custos laborais. Ameaça do fim da aposentadoria se apresenta como a principal meta nesse momento.

Também é uma grande ameaça os retrocessos que estamos assistindo em matéria de proteção ambiental, de combate ao racismo e à discriminação de gênero e as ameaças à educação. Um povo ignorante é facilmente subjugado.

2. Como a CUT está conduzindo as lutas em defesa do trabalho e dos direitos sociais, frente a ameaça reacionária?

A CUT reafirma constantemente o papel dos trabalhadores como protagonistas de luta contra a retirada de direitos. Para tanto, é necessário fortalecer a organização e a mobilização desde os locais de trabalho. Neste sentido, é preciso manter nossos sindicatos e dirigentes permanentemente informados sobre as medidas que tanto o governo golpista de Michel Temer como o novo governo Bolsonaro estão implementando e seus impactos sobre a classe trabalhadora. Não podemos deixar a nossa base se informar pelos grandes meios de comunicação que trabalham contra nós o tempo todo. É fundamental que os dirigentes nos sindicatos tenham clareza do que se passa no país para dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras.

Paralelamente, a CUT investe na unidade da classe trabalhadora, no trabalho conjunto com as demais Centrais Sindicais. Todas as estratégias de resistência às investidas para retirar direitos, conquistados com muita luta, são construídas coletivamente no Fórum das Centrais Sindicais. Claro que há algumas divergências, posições diferentes entre nós em alguns temas, mas o esforço é no sentido de construir unidade na luta. A classe trabalhadora deve estar unificada na defesa de seus direitos.

3. Como as entidades sindicais de base podem participar e fortalecer as reivindicações democráticas?

Os trabalhadores devem participar ativamente da vida política no país, através dos diversos conselhos de governo garantindo controle social sobre as políticas públicas. Acompanhando a atividade parlamentar, os projetos em tramitação e propondo a criação de novas leis que ampliem direitos. É fundamental participar também na política local, dos conselhos populares e dos movimentos sociais. Para além disso, os trabalhadores e trabalhadoras devem disputar diretamente a política através de candidaturas para o Legislativo e o Executivo. Precisamos de mais representantes nossos nos espaços de poder para defender e ampliar nossos direitos. Os sindicatos devem ser espaços de formação política, onde as novas lideranças são descobertas e incentivas a ocupar seus espaços na política.

Nesse momento em a luta do capital para retirar direitos se acirrar e manifesta sua face mais cruel, só os trabalhadores organizados serão capazes de resistir e mudar os rumos da política e construir uma sociedade mais justa, com menos desigualdade social e miséria.

Compartilhar com:

0 Comentários

Deixe o seu comentário!