Debate Franco
Debate Franco – Eudes Baima 19/12/2018

Debate Franco – Eudes Baima

Integrante do Diretório do PT Fortaleza

1 – Qual sua avaliação deste novo período pós-eleitoral para o PT e a esquerda brasileira?

Ao meu ver, nosso partido tem uma tarefa interna de completar o balanço (iniciado no 6° Congresso) deste período histórico que se fecha com a posse do governo da extrema-direita. O objetivo desta avaliação coletiva deveria ser a ultrapassagem definitiva da política de conciliação que foi um peso negativo quando precisamos congregar a classe trabalhadora e o povo na luta contra o golpe.

Para “fora”, penso ser necessária uma política de unidade em torno da defesa da democracia, em que a bandeira Lula Livre tem um papel central, e dos direitos, com destaque para a necessidade de barrar a contrarreforma da previdência. Ao lado disso, os ataques à liberdade precisam ser enfrentados.

Nosso objetivo deveria ser reunir as condições para, num prazo o mais breve, podermos passar da resistência à contraofensiva.

As bancadas e governos que elegemos, expressão da preservação do PT e de uma importante recuperação, depois do tombo das eleições municipais de 2016, devem ser pontos de apoio para esta resistência.  Por isso, nossos governos devem ser o justo contrário da política de Temer/Bolsonaro. É nesse sentido que é preciso inverter o curso de governos como o de Camilo Santana e Rui Costa que fecham o ano, depois de maiúsculas vitórias eleitorais, com medidas de ataques às previvências estaduais e a direitos dos servidores. Tal atitude não serve à causa da resistência.

2 – A campanha pela liberdade do presidente Lula deve ser conduzida de que forma para ganhar a maior repercussão possível? E qual o papel na Justiça nesta ação?

Em 1° lugar, sem prejuízo das medidas legais que devem ser tomadas, a chave para libertar Lula não está nas instituições que auspiciaram o golpe e pariram Bolsonaro. Entre elas, o Judiciário ocupou um lugar nuclear. E segue ocupando. Assim, colocar o peso principal da luta para libertar Lula na ação juridica me parece um erro. Em segundo lugar, é tarefa nossa, colocar a consigna Lula Livre no centro da luta em defesa da democracia. Como disse a presidente Gleisi, não pode haver paz enquanto Lula estiver preso. Assim, penso que é papel do PT, além de se colocar na primeira fileira da batalha para libertar Lula, ser fator ativo para que o movimento de massas democrático no seu conjunto adote esta batalha como tarefa central em torno da qual girem toda a luta pela democracia.

O fortalecimento dos Comitês Lula Livre pode ser decisivo nessa direção de colocar o problema na ordem-do-dia do debate na sociedade.

A retomada do Comitê Nacional e a extensão da batalha para a esfera internacional são fatos positivos que precisamos dar sequência. A preparação do natal e ano novo com Lula é muito importante. A efetivação do debate público sobre o tema que o DM do PT de Fortaleza prepara para janeiro, também.

3 – Como os movimentos sociais, sindicais, progressistas devem conduzir suas ações a partir da posse do “novo” governo na presidência do Brasil?

Não somos nós que dizemos, é o governo eleito que anuncia sua disposição de abrir uma guerra contra o povo. Bolsonaro já avisou que a contrarreforma da previdência entra no 1° semestre, que pretende aprofundar a destruição da legislação trabalhista com o fim do 13° e do terço de férias, que vai desencadear as privatizações, inclusive das universidades públicas,  que vai tentar passar a “escola sem partido”,  que vai orientar a política externa para a total subserviência a Trump, isso além dos estragos que já fez antes da posse, como no caso do Mais Médicos. Se anuncia no horizonte um governo de viés judicial  (Moro superministro) e militarista com graves ameaças às organizações populares. Então, é um governo com o qual não se pode conciliar. Nossa linha deve ser a da resistência a mais unitária possível. É um equívoco enorme apontar saída para as eleições de 2022 ou depositar ilusões de que o Judiciário vá resistir aos ataques à democracia  (mesmo que não renunciemos  a agir nesta esfera). A resistência em defesa da democracia e dos direitos é, até onde posso enxergar,  o caminho mais razoável para abreviar o período de defensiva, reunindo as forças para o contra-ataque.

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