Debate Franco
Debate Franco – Acrísio Sena 11/01/2019

Debate Franco – Acrísio Sena

1) Qual sua avaliação das medidas iniciais do Governo Bolsonaro?

A curto e médio, até agora, têm se mostrado desastrosas. O parâmetro pelo qual costumamos avaliar estas medidas diz respeito às consequências das mesmas para a classe trabalhadora. O fim do Ministério do Trabalho, a promessa de acabar com a Justiça do Trabalho, a redução do valor do salário-mínimo, o aprofundamento da reforma trabalhista de Temer que só aumentou o desemprego, a insistência em aprovar uma reforma da Previdência que retira ainda mais direitos da população, o ataque aos direitos humanos, desprezo pela área ambiental, perseguição aos servidores e desmonte do Estado são péssimos indicadores do que serão os próximos meses. Exigirá do PT uma postura firme de oposição e de defesa da democracia

Além fica claro, pelas informações desencontradas do presidente com sua equipe – por sinal preconceituosa e comprometida com uma ideologia retrógrada de direita – que é um governo totalmente despreparado para gerir um país continental, com tantos problemas políticos, econômicos e sociais. A população já entendeu que nunca houve plano de governo e que as iniciativas são tomadas sem planejamento e organização.

2) Como o governo de Camilo Santana poderá colocar-se como referência de democracia no Ceará frente a este quadro adverso que atravessa nosso país?

O Ceará já um exemplo para o Brasil de transparência e competência administrativa, pagando seus contratos em dia e fazendo investimentos com recurso próprios, enquanto outros estados sequer conseguem pagar o funcionalismo em dia. O perfil do governador Camilo Santana, por si só, que se caracteriza como um homem de diálogo, sem preconceitos ideológicos ou partidários, com foco na responsabilidade fiscal e modernização da máquina pública, também é um contraponto evidente à postura do governo federal.

Nosso Estado tem um sistema de ensino que é referência na educação do país, um profundo respeito aos direitos humanos e sociais e uma permanente interlocução com a sociedade civil. No caso da atual crise na segurança pública, por exemplo, Camilo adotou um tom republicano na relação entre as esferas estadual e federal, independente de divergências políticas, mostrando a diferença entre governo e estado: as estruturas e políticas de estado existem para que a máquina funcione de forma impessoal, colocando os interesses da população em primeiro lugar.

3) Quais as tarefas colocadas para o PT nesta contracorrente histórica que atravessa o Brasil e vários países do mundo?

A onda mundial de conservadorismo político, na Europa e nas Américas, deixa claro que há uma tarefa urgente para o PT e demais partidos de esquerda e centro-esquerda: a defesa intransigente do Estado Democrático de Direito. A oposição não pode aceitar que o autoritarismo do atual governo – baseado em fake news e na ignorância histórica e administrativa – coloque as conquistas democráticas da nossa sociedade em xeque. A população precisa saber o que está acontecendo e perceber o risco que corre. O discurso da esquerda tem de ganhar as ruas, as redes sociais e a mídia para consolidar uma narrativa alternativa, progressista, popular e de esquerda na opinião pública.

Além disso, o PT não pode – pela sua envergadura e história – abrir mão do seu protagonismo. O PT é muito maior que Bolsonaro e a eleição de 2018 deixou isso claro. O retorno do PT e da esquerda ao poder precisa significar, nos corações e mentes da população, o retorno da geração de emprego e renda, do respeito às minorias, do crescimento econômico com justiça social.

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